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Terceira Idade – Envelhecer com qualidade de vida e sabedoria

 

Por Fátima Borges

A população brasileira, a exemplo de outros países, vem envelhecendo rapidamente. A última pesquisa nacional por amostra de domicílios contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2018, mostra que o Brasil manteve a tendência de envelhecimento dos últimos anos e ganhou 4,8 milhões de idosos desde 2012, superando a marca dos 30,2 milhões em 2017.

Em 2012, a população com 60 anos ou mais era de 25,4 milhões. Os 4,8 milhões de novos idosos em cinco anos correspondem a um crescimento de 18% desse grupo etário, que tem se tornado cada vez mais representativo no Brasil. As mulheres são maioria expressiva nesse grupo, com 16,9 milhões (56%), enquanto os homens são 13,3 milhões (44%).

O envelhecer é um processo natural e inevitável que faz parte da vida de todo indivíduo, tal como a infância, a adolescência ou a maturidade, com doenças características e oportunidades próprias. É neste momento que o indivíduo começa deixar o vigor da juventude e se aproxima da velhice, pois com o passar do tempo o corpo vai se modificando gradualmente.

Apesar das diferenças individuais, podemos afirmar que há certas características comuns a todos os indivíduos que se encontram na fase da velhice, e o medo é uma delas. O medo é uma das sensações mais típicas, misteriosas e profundas do ser humano, não importa se ele é real ou imaginário, a verdade é que ele pode tomar conta de nossa vida e fazer dela um pesadelo ou mesmo um existir improdutivo.

Medo de envelhecer

No que diz respeito à velhice, podemos afirmar que há um medo real, que atinge os indivíduos como um todo. Para os psicólogos, o medo de envelhecer é um dos temas mais amplos que existem, pois a sua variação é infinita. Há os medos que estão relacionados com o auge da juventude, quando o entusiasmo e a euforia da idade jovem parecem intermináveis; o medo relacionado ao mercado de trabalho, pois ainda vemos este setor barrar, para muitas funções, indivíduos acima de 40 anos; existem os medos relacionados aos riscos de doenças, dependência física e social, e o medo da morte.

Com o envelhecimento, as funções sociais do homem se tornam mais reduzidas, quer por escolhas pessoais ditadas por suas limitações, quer por pressões da sociedade, que cria estereótipos da velhice. Podemos citar como exemplo, os contos de fadas, onde o termo ‘velho’ é quase sempre sinônimo de perversidade e crueldade.

A partir das últimas décadas, quando a medicina começou a estudar o envelhecimento, a qualidade de vida dos idosos melhorou significativamente e esses estudos concluíram que para se viver bem nesta fase, vários recursos devem ser levados em conta, tais como: a prática de exercícios, alimentação balanceada, convivência social, tratamento psíquico e cuidados com a obesidade, além de exclusão de alguns vícios, como o tabagismo, abuso do álcool e por fim, procurar sempre ter planos e projetos de vida, que com certeza resultarão em motivação e estímulo para uma vida com qualidade.

Tratamento adequado

Como psicóloga, gostaria de enfatizar o tratamento psíquico. Este recurso irá ajudar o indivíduo que se encontra vivenciando esta fase da vida, a transpor um obstáculo danoso, que é o preconceito do meio em que vive, além de trabalhar um dos transtornos psicológicos mais associados ao processo de envelhecimento que é a depressão.

A falta de atividade produtiva e de convivência social são alguns dos fatores que mais contribuem para o aparecimento de quadros depressivos nesta fase. Esta afirmativa pode ser comprovada ao analisarmos o comportamento dos idosos que ainda estão no mercado de trabalho, que são ativos e produtivos, com aqueles que enfrentam a chegada da velhice de forma conflituosa.

É importante lembrar que o idoso requer cuidados específicos, principalmente devido aos variados quadros de enfermidades que acompanham a velhice, como a hipertensão, a insuficiência coronariana, a diabete, a osteoporose, os vários tipos de demência, como a doença de Alzheimer, entre outros.

Temos como primeiro desafio para o tratamento do idoso a elaboração de um diagnóstico correto e preciso, para isso, é de suma importância saber ouvir o paciente idoso e efetivar esse tratamento de maneira multidisciplinar, fazendo uma tríade com o psicólogo, o geriatra e o gerontólogo, para que juntos possam traçar o perfil do idoso e elaborar uma estratégia terapêutica mais adequada para cada caso. Infelizmente a figura do psicólogo ainda é um elemento ausente em hospitais e clínicas especializadas no trabalho com pessoas da terceira idade.

Se pensarmos na vida como um contínuo processo de ajustamentos, em que a aprendizagem desempenha um papel importante, veremos que mesmo na velhice, o indivíduo ainda tem que buscar diferentes formas de aprendizado e de ajustamento pessoal.

Para que o indivíduo alcance um envelhecimento qualitativo é fundamental que ele tenha uma boa saúde física e mental, principalmente se ele começar essa busca desde jovem. Uma solução para o viver bem é aquela que resolve a dificuldade, dá prazer e mantém a autoestima, sem provocar conflito interno, atritos legais e culturais.

Para terminar, gostaria de fazer um convite á todos que estão vivenciando este processo: que pensem nas suas vitórias, nas suas origens, nas transformações que propiciaram nas vidas dos outros e na sua própria vida, e principalmente, na grande colaboração que deram para a transformação da sociedade. Enfim, olhar o que passou com satisfação, lembrando que o benefício que se vive no presente se deve ao passado construído por vocês, que hoje estão com mais experiência de vida.

* Dra. Fátima Borges – Psicóloga Clínica, Escolar, Organizacional e Comunitária. Formação Psicanalítica e Comportamental

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