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Para viver o LUTO é preciso ter coragem de vivenciar a dor

Por Fátima Borges

Perder um ente querido, por si só, já traz muita dor para o indivíduo, mais ainda neste momento de pandemia da Covid-19, quando não há possibilidade dos rituais fúnebres, como o velório e o funeral. Tudo isso torna o luto ainda mais delicado para a família.

A morte torna a todos impotentes, não existe classe social, hierarquia familiar, grau de instrução, todos; familiares, médicos e amigos tornam-se meros expectadores de um acontecimento que mais cedo ou mais tarde vivenciaremos.

O luto é um período de metamorfose, que pertence à vida, e que tem começo, meio e fim. O período de luto pode iniciar muitas vezes antes mesmo da morte do ente querido, como em casos de patologias incuráveis, que possuem apenas tratamentos paliativos, e que você tem que vivenciar o estágio avançado da doença. Nesses casos o LUTO tem inicio quando os familiares tomam ciência da morte.

A isso chamamos de LUTO antecipado, que é difícil e doloroso pois se vive o presente com angústia, desespero e ansiedade, com pensamentos projetados para um futuro catastrófico, que é a morte, e a incerteza de como será a vida sem esse indivíduo. No entanto, um aspecto positivo deste tipo de luto é o fato de apesar do sofrimento, se ter a oportunidade de compartilhar momentos, palavras e carinhos com quem está partindo.

De modo geral, o luto apresenta cinco estágios, que não possuem um período pré-estabelecido de duração, tudo depende da forma como o indivíduo lida com as adversidades da vida e do grau de conexão com o ente querido. Os estágios do luto são:

  • NEGAÇÃO – neste estágio o enlutado não consegue acreditar que está vivenciando a morte. Como forma de defesa, cria a ilusão de que está vivendo um pesadelo e de que, a qualquer momento vai despertar e tudo voltará a ser como antes;
  • RAIVA – neste momento o enlutado já começa a reconhecer que a perda existe. Simultaneamente há um grande sentimento de impotência e ira, porque o indivíduo não entende que a morte é um fato natural e se questiona porque isso foi acontecer logo com ele;
  • NEGOCIAÇÃO – é a última tentativa de recorrer à imaginação e tentar uma barganha, muitos cristãos negociam com Deus em troca de promessas e jejuns;
  • DEPRESSÃO – é o estágio mais crítico do luto, é quando o individuo reconhece a perda do ente de forma definitiva. Há uma enorme sensação de vazio no peito. No geral, os enlutados querem ficar distantes e sozinhos para processar o que aconteceu, e gerenciar suas emoções. Nesta fase é muito importante não reprimir os sentimentos ou se esquivar deles.

Também é importante que os indivíduos que convivam com o enlutado deem o suporte adequado. Se você não está disposto a falar sobre a perda do outro não pergunte se está tudo bem porque é obvio que não está nada bem, mas se você quer ajudar, convide-o para um passeio simples, como tomar um sorvete, ver um filme de comédia ou algo que o faça se sentir menos deslocado e que o ajude a voltar à rotina. Nunca o force a falar sobre seus sentimentos. Se o enlutado quiser conversar ele vai procurar a pessoa adequada para expor o que sente.

Na medida em que o tempo passa a saudade tende a aumentar, assim como as crises de choro e isolamento, até que o enlutado consiga processar seus sentimentos com mais serenidade e, aos poucos, ter vontade de voltar a viver e interagir com outros indivíduos.

  • ACEITAÇÃO – é a última fase do luto, ocorre com o reconhecimento da perda com um profundo sentimento de serenidade e paz. O sentimento de vazio que há na fase da depressão dá espaço a um sentimento de saudade reconfortante e a lembranças agradáveis em relação ao falecido. Neste período o enlutado já consegue retomar suas atividades e com o decorrer do tempo pensa com menos frequência no ente querido, conseguindo se lembrar dele sem chorar e com um sentimento de felicidade por ter compartilhado bons momentos com quem sempre amará.

Para a aquisição de uma SAÚDE MENTAL é importante que os sentimentos e as emoções sejam sempre exteriorizados, mesmo que o luto se prolongue. Se essas emoções forem reprimidas, podemos gerar uma depressão duradoura, desencadeando comportamentos que serão prejudiciais à sua vida e às pessoas que ficaram ao seu redor.

A tentativa de forçar o esquecimento com remédios e álcool, está fadada ao fracasso. A melhor ajuda é realmente o apoio de um profissional competente que contribua para superar a crise psíquica e a recobrar a alegria de viver, sem que isso signifique esquecer o ente querido.

Se você atualmente enfrenta o luto, viva-o dignamente, não tenha medo de sofrer, é preciso ter a coragem de vivenciar o sofrimento para se transformar em alguém melhor, certamente sua perspectiva de mundo será outra, passará a valorizar mais as pessoas que estão com você e estará mais preparado para viver uma perda.

 

* Dra. Fátima Borges – Psicóloga Clínica, Escolar, Organizacional e Comunitária. Formação Psicanalítica e Comportamental

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