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Os efeitos sociais e psicológicos causados pelo desemprego

 

Por Fátima Borges

O Ministério da Economia estima que 150 mil pessoas perderam o emprego em razão da crise causada pelas medidas de enfrentamento ao Covid-19 no Brasil.Mas, o que o desemprego tem a ver com situação psicológica do indivíduo.

Para começar devemos definir o que seja trabalho. Podemos dizer que trabalho é toda atividade realizada pelo indivíduo civilizado que transforma a natureza pela inteligência. Ao realizar essa atividade, o indivíduo se transforma, se autoproduz e, ao se relacionar com outros indivíduos na realização da atividade, estabelece a base das relações sociais.

Não é novidade pra ninguém que além da pandemia, a globalização acarretou inúmeras mudanças na sociedade. Em parceria com a tecnologia e a informação, quebrou paradigmas, principalmente nos aspectos à posição das empresas em relação ao mercado de trabalho, sua estruturação, as estratégias utilizadas, a gestão e as mudanças no perfil dos atores que atuam nas organizações.

A exigência por profissionais cada vez mais qualificados, juntamente com a queda do número de vagas oferecidas pelas empresas é uma realidade. A rapidez das mudanças em níveis econômicos, culturais, sociais e político foi o fator determinante dessa quebra de paradigmas e do aumento absurdo do desemprego, cuja catástrofe não está sendo tratada com a seriedade que merece.

Essas transformações estão produzindo mudanças significativas no mercado de trabalho: a diminuição da ocupação na indústria, o aumento da terceirização e da informalidade, a ampliação da participação da mão de obra feminina, além do crescimento absurdo do trabalho infantil. Enfim, podemos concluir que o trabalho humano como forma de existência social está em xeque.

Trabalhar para existir socialmente e adquirir renda ficam cada vez mais utópicos para um grupo cada vez maior de indivíduos, principalmente de jovens candidatos ao primeiro emprego. Os apelos para uma ação mais eficiente do governo surgem de todos os lados, porém até o presente momento, poucos programas concretos foram iniciados ou mesmo tiveram sucesso.

As transformações no mercado e nas relações de trabalho estão exigindo dos nossos governantes uma nova abordagem das políticas na área do trabalho, além de colocar a necessidade de empreender, buscando mais ações de programas continuados de qualificação gratuitos, possibilitando o aumento da escolaridade dos trabalhadores.

Vejamos agora que efeitos psicológicos o desemprego provoca em um indivíduo, pois entendemos que um emprego produtivo é o primeiro passo para maior independência, auto realização e integração no meio social e econômico da comunidade.

O trabalho é fundamental para a nossa integração social e para o bem-estar psíquico, pois ele estrutura o nosso tempo e é um lugar onde interagimos e cooperamos com outros indivíduos, onde partilhamos experiências e nos identificamos como parte de um sistema.

A situação de desemprego é entendida como negação de trabalho ao trabalhador e, portanto, como um elemento de alienação do próprio processo de construção de identidade,

Segundo Donovan e Oddy (1992) os indivíduos desempregados além de serem mais depressivos e ansiosos, mostram mais baixa autoestima e socialmente estão menos adaptados do que aqueles que têm trabalho.

Pesquisas mostram que, o desemprego é um impacto negativo para a percepção de si mesmo e para a identidade psicossocial. Considerando que a autoestima é uma das variáveis mais relevantes, sendo tratada como um componente fundamental da identidade pessoal e um índice de importante bem estar psicológico, o indivíduo quando se encontra na situação de desempregado sente-se impotente, angustiado e intolerante, além de sentir uma sensação de isolamento social e pessimismo, provocando um alto índice de suicídio.

Podemos afirmar então, que os efeitos psicológicos do desemprego são bastante danosos para a maioria dos indivíduos, pois o emprego, quase sempre, funciona não apenas como um meio de sobrevivência mas, também, para que o ser humano possa desenvolver habilidades e perícias, assumir responsabilidades e ser criativo, resgatando com isso, o pleno exercício da cidadania e dando-lhe oportunidade de contribuir produtivamente para a sociedade da qual faz parte.

Trabalhar é uma atividade tão natural que, infelizmente, a grande maioria dos indivíduos nem se dá conta de quanto essa ação está carregada de influências psicológicas.

* Dra. Fátima Borges – Psicóloga Clínica, Escolar, Organizacional e Comunitária. Formação Psicanalítica e Comportamental

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