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Desafios de ser mulher e os danos psicológicos causados pela desigualdade entre gêneros

Por Fátima Borges

Antes de qualquer coisa, devemos reconhecer que somente a Mulher pode realizar a função biológica e social de transmitir a vida, e que, com toda certeza é a função mais importante para a perpetuação da espécie. Portanto, as ciências sociais devem reconhecer a importância do trabalho da Mulher, analisando sua contribuição real à sociedade, seja na função de reprodutora, educadora, cuidadora e provedora de muitos lares e de seus serviços domésticos.

Eis aí a força do “Sexo Frágil”. Como bem diz a letra da música de Erasmo Carlos “dizem que a mulher é o sexo frágil, mas que mentira absurda…” Apenas nessas duas frases daria para sintetizar o que vem ocorrendo com a mulher em todo o mundo. Ela vem se livrando da condição de submissa à vontade do sexo oposto e conquista novos espaços, disputa as oportunidades no mercado de trabalho, uma vida independente e um lugar ao sol. Mas, não é fácil vencer desafios e atingir metas, e é por esse motivo que, apesar das conquistas, ainda há muito que fazer para se chegar a plena igualdade. E um dos desafios mais importante e complicado a ser vencido é o da não discriminação.

Vemos hoje, não só no Brasil, a Mulher exercendo o papel de chefe-de-família, provedora, trabalhadora, mãe e executiva. Até mesmo, em sistemas familiares tradicionais, onde estão presentes as figuras de pai e mãe, a história mudou, agora, ambos trabalham fora, têm menos filhos e dividem as preocupações e responsabilidades.

Essas mudanças, por si só, poderiam significar que tanto os homens quanto as mulheres se encontram em igualdade de condições para disputar um lugar no mercado de trabalho. Infelizmente não é bem assim, pois igualdade de condições, em questão de gênero, ainda é um sonho para a maioria das mulheres brasileiras. Nesse aspecto o Brasil ainda está muito atrás de outros países. Apesar de haver mais mulheres chefiando famílias que nos Estados Unidos, quando a questão é remuneração e cargos de chefia, o gênero masculino ainda leva vantagem.

Nos anos 1970, já existia uma ampla representatividade do gênero feminino no mercado de trabalho. De 2010 para cá, a participação de mulheres com emprego fora de casa evoluiu de 64% para 71%. Os dados são da OIT (Organização Internacional do Trabalho). A elevação do nível educacional e a necessidade de contribuir para o orçamento doméstico, fizeram com que a Mulher saísse de casa para disputar um lugar no mercado de trabalho, além de buscar um nível de instrução melhor.

Desigualdade de gênero

No entanto, toda essa busca educacional não significou equiparação salarial, pois na grande maioria dos casos, o salário das mulheres brasileiras ainda seja 25% menores que os dos homens, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego. E nesses casos tendo ambos a mesma “jornada de trabalho” e com o mesmo nível educacional.

A desigualdade fica ainda mais gritante, quando consideramos que, a grande maioria das mulheres vivencia uma “dupla jornada de trabalho”, pois depois de desempenhar uma função profissional, em um expediente externo, nós mulheres, voltamos para casa para cumprir outro expediente. Um expediente de trabalho interno, e esse ainda mais exaustivo, pois temos de exercer vários papéis ao mesmo tempo. O papel de mulher, mãe, dona-de-casa, avó, e cuidadora. Na verdade o uso do tempo da Mulher é bastante diferente do uso do tempo do homem, e a remuneração desse tempo também.

Apesar dos avanços na Legislação Brasileira, na prática, a Mulher ainda é muito discriminada. Não podemos esquecer de registrar que a discriminação se manifesta entre homens e mulher, e entre brancos e negros, não sendo o ato discriminador um problema de negros ou de mulheres, mas sim, das relações que se estabelecem entre os indivíduos. Diante disso, podemos entender, infelizmente, porque as mulheres negras sofrem uma discriminação ainda maior, seja dentro ou fora do mercado de trabalho.

Discriminação e danos psicológicos

Após analisarmos as consequências de atos absurdos de discriminação, podemos afirmar além de afetar diretamente a Autoestima do indivíduo e do grupo ao qual pertence, dada a força com que os estereótipos se integram à própria identidade dos indivíduos. È comum o desenvolvimento de um sentimento exacerbado de superioridade nos membros de um grupo dominante, em contraposição a um sentimento de inferioridade nos membros de um grupo discriminado.

Além dos danos graves na saúde mental do indivíduo atingido, tais atos, também causam danos profundos em sua saúde física. Esses danos podem se traduzir por sintomas como fadiga, estresse, insônia, perda de apetite, depressão, isolamento, frustração, revolta, medo, agressividade, etc…

No campo Profissional, há consequência como a diminuição do rendimento, acidentes, deterioração das relações, violência, comprometimento de ascensões, demissões injustas e outros.

Além das dificuldades de acesso a determinadas ocupações laborais, as mulheres que conseguem um lugar no mercado de trabalho, ainda são vítimas de assédio sexual, que é uma forma de pressão no trabalho. Também  têm que lidar com o complexo de inferioridade de certos “superiores”, que impede a promoção de uma funcionária, dando como justificativa a dificuldade que os demais colegas de trabalho teriam em aceitar uma Mulher como superior hierárquica.

Por essas e outras, tem muita gente que acha que a condição feminina pouco mudou nos últimos 100 anos, e que ainda, há muito a ser feito para que a desigualdade entre Mulheres e Homens, no Brasil, seja superada. Há muitas Leis e Projetos que defendem as questões femininas, mas é preciso superar hábitos culturalmente adquiridos.

O homem precisa aprender a dividir as tarefas familiares. Numa fila de vacinação ou de matrícula escolar, por exemplo, o que se vê são mulheres com seus filhos.

Penso que somente através de um processo de mudança dos hábitos culturais adquiridos, é que se poderá esperar uma redução na desigualdade entre os gêneros, e com isso o indivíduo possa realmente conseguir, ser reconhecido, valorizado e premiado, por sua qualificação e competência, não importando o seu gênero.

* Dra. Fátima Borges – Psicóloga Clínica, Escolar, Organizacional e Comunitária. Formação Psicanalítica e Comportamental

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