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Ciúme em excesso é sinônimo de descontrole emocional

Por Fátima Borges

O ciúme, na leitura freudiana, é um sentimento tão normal quanto o luto. Curiosamente este sentimento é mais visível nas mulheres do que nos homens e parece ser, para as mulheres, a tela de fundo de suas relações amorosas. Muitas brigas conjugais têm como inicio a frase: ‘é porque você está com ciúmes’.

O ciúme aparece como componente da união conjugal e, de certa forma, todos os indivíduos possuem esse sentimento. Alguns até verbalizam que o ciúme é o tempero do amor e que a sua existência serve como um sensor, mostrando que o interesse mútuo permanece aceso, medindo a segurança que se sente na relação. Podemos concluir que o ciúme é algo necessário nas relações. Entretanto, tanto a sua ausência, quanto o seu excesso, podem prejudicar qualquer tipo de relacionamento.

Quando o ciúme se apresenta de maneira excessiva, acaba destruindo o relacionamento. Na angústia de não suportar a perda do objeto amado, o indivíduo ciumento, cerceia a liberdade, invade espaços e privacidade, desrespeita e fere sentimentos com acusações, que acabam por desmanchar o laço de união que havia entre ele e o objeto de amor.

O controle que o sujeito possuidor de um ciúme excessivo, tenta infringir ao seu parceiro (a), o “sufoca” tanto que este (a), precisa se afastar cada vez mais para poder ‘respirar’ suas atitudes, amizades, pensamentos, lembranças e fantasias, pois tudo representa ameaça a segurança do ciumento. Pode-se afirmar que o ciúme em excesso, é algo doentio e sinônimo de descontrole emocional.

Ciúme doentio

Dois fatores que podem desencadear ciúme exagerado e doentio é sem dúvida a baixa estima do sujeito, e a desvalorização de si mesmo, pois, indivíduos seguros de si, de seu valor, costumam conviver bem com o ciúme, não se deixam dominar por ele.

A mudança comportamental do parceiro é outro fator que pode levar à desconfiança e ao surgimento de um ciúme descontrolado. A diminuição da frequência sexual, por um dos companheiros, pode ser uma destas mudanças. Contudo, um fator que está sempre presente em todos os casos de ciúmes excessivos é a prevalência da fantasia sob a realidade que alimenta esta emoção.

A questão do ciúme nunca é indiferente para o indivíduo. De fato, a perda do amor equivale para ele a perda de sua segurança fálica. Os indivíduos excessivamente ciumentos sofrem de privação de afeto e acreditam que estão sendo tratados injustamente.

A psicologia interpreta tais fatos como um conflito emocional baseado na falta de segurança em si mesmo. No fundo, sempre existe em todos nós o medo de que o outro nos abandone. Esta incerteza determina que o sujeito demasiado ciumento desconfie do objeto amado e comece a controla-lo. A vítima mais comum da ira do indivíduo ciumento é, sem sombra de dúvidas, o companheiro (a) supostamente infiel.

Ciúme no passado

Do ponto de vista evolucionista, o ciúme e a consequente agressividade remontam a um mecanismo de comportamento arcaico que antigamente servia para eliminar os competidores e assegurar a sobrevivência, logo o ciúme tinha sua razão de existir.

Uma mulher que escolhe um homem, conta com ele para alimentar e manter sua cria. Se o homem se dedica a outra mulher, a primeira teme que ele divida seus esforços para manter e sustentar as duas famílias ou que os concentre apenas na segunda. A aparição de uma rival reduz as possibilidades de sobrevivência dela e de sua cria. E no sentido inverso, o marido de uma mulher infiel teme estar alimentando os filhos de um adversário.

Infelizmente temos que conviver com essa herança, porém qualquer indivíduo pode aprender a dominar o ciúme.

Uma alternativa é não limitar a uma única pessoa as relações interpessoais, pois quem possui um grande circulo de amizades, com certeza, supera melhor e mais rapidamente uma perda. Em se tratando de matrimônio, o melhor a fazer é expressar os próprios pensamentos e sentimentos com honestidade e procurar aceitar o direito do outro, de sentir e de opinar de maneira diferente, além de vivenciar plenamente os conflitos, quando eles aparecerem. Tenha certa que, quem fala abertamente sobre suas emoções, tem maior probabilidade de encontrar uma via comum de conciliação ou de compreender que suas suspeitas são infundadas.

* Dra. Fátima Borges – Psicóloga Clínica, Escolar, Organizacional e Comunitária. Formação Psicanalítica e Comportamental

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