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Alzheimer: Uma doença que mata duas vezes

 

Por Fátima Borges

A partir de certa idade é comum que qualquer pequena limitação das faculdades psíquicas tende a identificar-se com manifestações de senilidade. O rótulo “senil” supõe a entrada na categoria dos velhos doentes, com poucas possibilidades de cura, visto que a senilidade quase sempre leva a doenças crônicas.

De todas as doenças incuráveis, o mal degenerativo do cérebro, conhecido como “doença de Alzheimer”, pode ser a mais cruel, visto que mata suas vítimas duas vezes. Primeiro ocorre o falecimento da mente, quando nomes, datas, lugares, histórico de vida, apaga-se e tarefas como abotoar camisa, dizer as horas, preparar uma refeição, tornam-se intransponíveis. Vendo-se incapaz de caminhar e controlar funções elementares, a vítima se curva na posição fetal, gradualmente entra em coma e depois ocorre a segunda morte, a física e final.

A doença de Alzheimer geralmente começa entre 50 e 60 anos, embora possam ocorrer casos mais precoces. A duração usual da doença é de cinco a dez anos, podendo variar este tempo, e o seu progresso não é algo que ocorra rapidamente.

Essa doença é responsável por mais da metade de todos os casos de demência senil. As causas ainda são em grande parte desconhecidas, porém já se sabe que ela atinge todos os grupos étnicos e sociais, e que entre 10 e 15% dos casos, os filhos têm 50% de chances de desenvolver a doença.

Começa com uma redução da espontaneidade, passando por uma progressiva deterioração intelectual e alterações de comportamento. Não existe um padrão característico, quanto a debilitação intelectual e comportamental, a desorientação, o enfraquecimento da memória, os erros de cálculos e a informação geral, a labilidade emocional e a diminuição dos aspectos concretos do raciocínio acham-se presentes em variados níveis e combinações. A linguagem fica comprometida, o paciente comete enganos nos detalhes rotineiros de sua vida cotidiana, esquece palavras, a pronuncia fica difícil, comete erros ao ler e escrever e os distúrbios da fala são comuns.

Nas fases avançadas da doença, a fala se torna um jargão incoerente, sem formação de sentenças. Podem ocorrer prolongados períodos de hiperatividade, ansiedade e depressão, podendo também ocorrer ataques epiléticos e com certa frequência, um tremor no caminhar, fazendo com que o paciente apresente um andar inseguro.

Do ponto de vista psicológico, o indivíduo acometido por esse tido de doença, apresenta uma série de regressões do EGO, isto é, à medida que ele percebe o gradual enfraquecimento das suas capacidades ocorre, a princípio, uma intensificação das defesas do caráter já existentes. Quando as defesas do caráter não são capazes de proteger da ansiedade, então aparecem os sintomas depressivos, persecutórios e hipocondríacos, como um meio pelo qual o indivíduo se defende contra o medo da morte e da iminente perda das funções e das satisfações.

Quando se passa para um processo mais evoluído da doença, é menos passível de apresentar um quadro depressivo. A ansiedade em torno da perda das funções ou até mesmo a respeito da morte é demonstrada através de acusações paranoicas. Mais tarde, com o progresso gradativo do mal, ocorre o retraimento no indivíduo. Esses sintomas representam o enfraquecimento da capacidade funcional do cérebro, com relação a manipulação dos estímulos emocionais.

Uma evidência da progressiva debilitação das funções cognitivas, devido à degeneração cerebral em curso, é o comprometimento da memória, com uma tendência, por parte do paciente, em vivenciar recordações, tendo como ator principal ele mesmo.

À medida que a memória recente se apaga, as lembranças rumo ao passado são cada vez mais presentes, devido à falta de capacidade, por parte do paciente de assimilar novas ideias e experiências. Este indivíduo passa a viver no passado distante, lembrando-se de sua meninice, falando dos pais e avós, como se eles ainda vivessem.

O mal de Alzheimer é uma doença que pode ser devastadora para as famílias das vítimas, pois os leva a um estado de exaustão física e emocional tendo que, suprir a necessidade de cuidados contínuos que o paciente requer. À maioria dos indivíduos, acometidos pelo mal de Alzheimer, precisam de uma assistência 24 horas por dia. Igualmente importante é a necessidade de manter esses pacientes fora da cama e engajados em atividades, a maior parte do tempo possível. Se forem mantidos com suas mentes ocupadas e com atividades físicas, poderão ir mais adiante e protelar o último estágio da doença, que é um estágio de vida vegetativa.

Para uma investigação diagnóstica a neurologia internacional já faz uso de instrumentos de avaliação psicológica como os testes de medida de memória e inteligência, assim como o uso do EEG – Eletroencefalograma, em seus diagnósticos diferenciais de demências.

Até o momento, não existe cura para a doença de Alzheimer. Os avanços da medicina têm permitido que os pacientes tenham uma sobrevida maior e uma qualidade de vida melhor, mesmo na fase grave da doença. Mas as pesquisas têm progredido na compreensão dos mecanismos que causam a doença e no desenvolvimento das drogas para o tratamento.

* Dra. Fátima Borges – Psicóloga Clínica, Escolar, Organizacional e Comunitária. Formação Psicanalítica e Comportamental

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