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A mão que afaga é a mesma que abusa e violenta

 

Por Fátima Borges

A violência sexual infanto-juvenil é um tema que abala a opinião pública. Quase todos os dias somos surpreendidos com denúncias sobre o assunto nas mídias sociais e na imprensa, quase sempre, comprovadas por vídeos. As estatísticas mostram que pessoas influentes de nossa sociedade, inclusive políticos e magistrados, estão entre os usuários desta prática sexual abominável.

Por abuso sexual, entende-se toda situação em que um indivíduo adulto utiliza-se de uma criança ou adolescente para seu prazer sexual, podendo ocorrer ou não contato físico.

A partir deste entendimento, podemos pontuar a ocorrência da violência sexual infanto-juvenil, sob dois aspectos: a intrafamiliar, que é a forma como se apresenta mais frequentemente e a extrafamiliar, que tem como propósito maior a exploração comercial do ato em si.

Na violência sexual extrafamiliar, estudos detectam que além da presença da criança-vitima e do pedófilo, encontra-se outro participante: o aliciador. Este é um criminoso, que lucra com a venda do ato sexual com crianças e adolescentes. Esta violência, comercializada, ocorre no mundo inteiro e infelizmente no nosso país também, mas, aqui, sua prática constitui crime, cuja pena varia de 6 a 10 anos de reclusão.

Já a violência sexual intrafamiliar, podemos dizer que ela ocorre também em todos os países e em todas as classes sociais e que na sua maioria, este tipo de abuso é praticado por alguém que a criança conhece, confia e até muitas vezes ama. Assim, o maior índice de abusadores é representado pelo pai, padrasto, tio, avô, ou alguém muito próximo da família (amigos e vizinhos). O abuso pode ocorrer durante anos, só cessando quando a vítima, às vezes já adulta, tem condições de se livrar daquela relação patológica (que não é fácil), pois o indivíduo abusador age ‘sem violência’, seduzindo e ameaçando sua vítima de forma velada.

Este é um dos fatores que dificulta a aplicação da lei, por ser cometido às escondidas, com ausência de testemunhas. A denúncia depende da coragem da criança, em relatar o acontecido, que em geral, lhe causa medo e vergonha. Em um primeiro momento, a criança até pode tentar falar com a mãe, mas na maioria das vezes, não encontra nela atitude de acolhida e credibilidade para suas palavras. Assim sendo, o silêncio das vitimas, junto ao descrédito das mães e a conivência com o agressor (em muitos casos, o abusador é o provedor do lar) faz com que a própria mãe também seja uma “abusadora passiva”, além de dificultar a ação da justiça.

Danos psicológicos

Quanto aos danos psicológicos, as vitimas de abuso e violência sexual infanto-juvenil, sofrem profundamente com o medo, a culpa e o remorso, principalmente quando quem praticou o ato é um adulto que ela ama, em quem ela depositava confiança. Por isso, ela não pode entender o que está acontecendo, pois a mão que deveria afagar é a mesma que violenta e ameaça.

Em função dessa vivência de violações de confiança com a figura adulta, instala-se um conflito, onde a criança é propensa a desencadear distúrbios de comportamentos, como introversão, manifestação de erotização precoce, depressão, ansiedade e baixo rendimento escolar.

O abusador pode ser classificado como um pedófilo, e a pedofilia é uma psicopatologia, um desvio da sexualidade, de caráter compulsivo obsessivo, onde adultos têm atração sexual por crianças e adolescentes. Segundo alguns teóricos, esse interesse sexual patológico, por este público-alvo é tido como uma variante da homossexualidade.

O indivíduo que apresenta esta Parafilia (impulsos sexuais mal direcionados) atua em nível psicossexual imaturo, devido ao medo e dúvida a respeito de si mesmo e como consequência desses sentimentos, sente-se rejeitado e fracassado em suas conquistas heterossexuais adultas, direcionando então, seus intentos para crianças e adolescentes.

Combater a violência sexual infanto-juvenil e as suas consequências, não é nada fácil, uma vez que, geralmente, há pouca evidência documentando os casos de negligência ou abuso emocional ou sexual, por isso, a análise do psicólogo clínico torna-se, com frequência, o critério utilizado para a determinação da prática abusiva.

Na maioria das vezes, não apenas o entrevistador ou o corpo clínico deve estar envolvido na investigação do abuso de crianças e adolescentes, mas toda uma equipe multidisciplinar. É inevitável que o psicólogo, ou a equipe, que vá receber esta criança ou adolescente para uma avaliação, conheça o processo de denúncia da violência e as práticas especializadas de investigação, assim como também, as opções de tratamento disponível.

Caso o diagnóstico seja confirmado, os psicólogos, psiquiatras, pediatras, assistentes sociais, conselheiros tutelares, professores, policiais e advogados, devem manter a cooperação e o profissionalismo e trabalhar juntos de forma bem homogênea para apoiar tanto a criança ou o adolescente, como também a família, sem esquecer do abusador, pois se realmente tratar-se de um pedófilo, é importante lembrar que ele é um doente, e que portanto, deve ser tratado.

* Dra. Fátima Borges – Psicóloga Clínica, Escolar, Organizacional e Comunitária. Formação Psicanalítica e Comportamental

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