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A inveja exacerbada é capaz de destruir sonhos, amizades, famílias e vidas

Por Fátima Borges

 

O significado da palavra inveja, segundo o Aurélio, é o “desejo intenso de possuir o bem alheio”, “sentimento de pesar ou desgosto em face da felicidade, da superioridade de outrem”.

No campo psicológico este significado é bem mais complexo. Estudos afirmam que todo ser humano ao nascer, traz consigo uma gama de sentimentos como o ciúme, o egoísmo, a bondade, a inveja, a ambição, a raiva, o amor, etc… E o que irá determinar para que alguns tipos de sentimentos aflorem em proporções mais ou menos elevados no caráter de cada indivíduo é a maneira como ele irá vivenciar suas experiências de vida e seus aprendizados, durante as fases do seu desenvolvimento.

Podemos afirmar que alcançar uma personalidade emocionalmente equilibrada, dependerá do equilíbrio e controle conseguido sob esses sentimentos. No caso de indivíduo que apresenta um comportamento de inveja exacerbada (e consequentemente doentia) é verdadeiro afirmar que a inveja provem da existência, neste sujeito, do sentimento muito grande de incapacidade de vivenciar seus próprios sonhos, de alcançar suas metas, seus objetivos de vida, de realizar-se.

Quando, no sujeito, esse sentimento de incapacidade não é motivado e nem incentivado, esse indivíduo jamais irá sentir-se desconfortável ao ouvir de alguém, por exemplo, que ele fez a “volta ao mundo”. A reação de um comportamento sadio será de parabenizar esta pessoa e verbalizar: “que bom”. Significa que é possível dar a “volta ao mundo” no sentido de realizar sonhos. Ou seja, esta colocação do outro indivíduo, reforça ainda mais no sujeito a sensação de que ele também é capaz, e pode conseguir realizar seus sonhos.

A sensação de incapacidade, ao contrário, fomenta no indivíduo a inveja, ou seja, querer destruir aquilo, o bem que o outro conseguiu. E logo surgem pensamentos automáticos como “que bobagem dar a volta ao mundo!”, “se eu não consigo realizar meus sonhos ninguém consegue”.

Na maioria das vezes a sensação de incapacidade, fonte da inveja, se deve ao aprendizado errôneo dado ao indivíduo sobre a escolha de metas, ou seja, a este sujeito foi ensinado a desejar algo que não está ao seu alcance e ao mesmo tempo não lhe foi ensinado a conhecer o seu próprio potencial de realizações, valorizando as metas que estão ao seu alcance. Este sujeito não aprendeu a reconhecer que as coisas que estão a sua volta também são boas.

De acordo com a teoria Klenianna, a inveja começa na relação com quem nos alimenta, tendo sua representatividade o seio materno. Quando queremos mais alimento e não temos, não toleramos a frustração, ficamos com raiva de quem tem o alimento. Com raiva e inveja dele, queremos destruí-lo.

A inveja em excesso, causa muitos danos ao indivíduo, pois ela faz com que ele abandone o curso de sua própria vida em função da preocupação do valor do outro, esquecendo-se de trabalhar o seu próprio valor.

Alguns teóricos são unânimes em afirmar que a inveja equilibrada contribuí para o crescimento do ser humano e que a comparação com o outro ajuda, de certa forma, a motivar o ser humano a crescer, no que concordo plenamente. Penso, porém, que a comparação com o comportamento de outros indivíduos deva sempre servir e contribuir para que nos motive às mudanças sadias em nossa conduta, tendo sempre em mente que cada ser humano possui um mapa genético e vivências diferentes.

Outro dano que o excesso de inveja causa ao sujeito é o comportamento dissimulado e insano que esses indivíduos apresentam, e fazem uso dele, para conseguir alcançar o seu objetivo, que é destruir qualquer pessoa que possua algo que ele queira. O indivíduo que apresenta um comportamento de inveja exacerbada possui crenças e pensamentos automáticos que o faz acreditar que o outro pode ter tudo o que quiser e ele não. E com isto acreditam ser injustiçados, inclusive pelos “céus”, por ter dado tanto para alguns e a ele nada. Portanto, não tendo como conseguir, este indivíduo tem que tomar de alguém que possua o que ele pensa que também é seu por direito e merecimento.

Lamentavelmente o sofrimento é o par constante desse sujeito, pois ele não consegue ter paz, fica sempre tentando descobrir segredos que pensa que lhe foi omitido. Vive “armando” contra o seu “inimigo” (alguém que ele elegeu como tal) tramando armadilhas e criando situações para prejudica-lo. E a consequência disso é o aparecimento de uma grande ansiedade e insônia, agravando assim os danos, não apenas no seu estado emocional como também no fisiológico e social, pois este tipo de comportamento, mais cedo ou mais tarde irá contribuir para excluir o sujeito do seu ciclo de amigos e até da família, pois se torna uma pessoa desagradável que só faz comentar a vida dos outros, sempre maldizendo a sua.

No geral, o indivíduo que é invejoso em demasia, é também bastante orgulhoso. Logo terá que, trabalhar esses sentimentos muito profundamente.

Uma maneira eficaz seria refletir sobre algumas questões básicas como: – Quem realmente sou? – O que admiro nos outros? – O que devo aprender com eles? – O que quero que aconteça na minha vida? – O que estou fazendo para que isso aconteça? e, finalmente, – Por onde devo começar?

Detectar seus defeitos, para que identificados, possam ser trabalhados, certamente ajudará esse indivíduo a desenvolver um reaprendizado para obter mudanças em suas crenças, conceitos e comportamentos, visando começar uma caminhada em direção ao sucesso que ele tanto deseja e que pensava não ser capaz de conquistar.

* Dra. Fátima Borges – Psicóloga Clínica, Escolar, Organizacional e Comunitária. Formação Psicanalítica e Comportamental

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